quinta-feira, 23 de março de 2017

muito bom não é o bastante

O dia fica escuro novamente
e nada daqui me move
agora, ao menos, com a desculpa do músculo morto
da dor enraizada
do corte ainda aberto
mas são outras feridas que sangram.

mais um dia que chega às seis...
e depois daquele tumulto todo
um nada
mais que um sentimento vazio,
o fracasso.

quanto veneno escorre lá fora
não de cobra
mas de ratos
que destilam ódio e poder
sobre nós
que definhamos na leptospirose dos dias 
alheios.
dos dias que nunca são nossos

a dor que me atinge o ventre e os pulmões
não é da cirurgia nem do cigarro
é do câncer (também alheio)
é do cansaço 
de tentar se fazer ser entendida
como gente

eles nunca nos olharão como gente
eles não se importam de fato
com nada além
do rendimento - 
mais impostos
mais dinheiros 
mais poder 
mais porcentagens

E eu até ousei ensaiar um 
"sossegue, Carlos"
mas não vale a pena
economizar coração
Ele não vai te salvar.
E prolongar teus dias aqui só te trará
mais dias que escurecem
sem que nada seja teu
só loucura
medo
e mais nada.




(Então vai, Carlos, ser gauche, vai...)

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