quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Até logo



Eu to dizendo adeus
À culpa que me paralisa
Ao peso da estabilidade
Ao dever com a coerência
Eu tô dizendo adeus
A tantas reticências
Que coloquei no meu pensar

Eu tô tentando dizer adeus
Pra toda a certeza que tive
Pras coisas que não falei
Pra incerteza que te entreguei
Pro cansaço ao me levantar

Me deixa dizer adeus, coração,
A essa eterna loucura
Imploro ao encontro do meu maior medo:
Não me insista pra ficar.



Eu não consigo dizer adeus. 

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Oh, babe, a gente ainda nem começou.

Hoje tenho um aperto no peito me dizendo que devo partir. 
Um aperto da alma me dizendo que posso chorar. 
Uma mente quase inquieta me diz que não há pr'onde fugir. 
E tem um milhão de memórias implorando pra eu ficar.

Eu já não aguento mais esses tantos sentimentos confusos. Esses tantos sentimentos descarados e descartados que sabem muito bem como me perturbar. Viver tem sido uma resistência minuciosa dentro da minha falta de resiliência, dentro do meu sistema esgotado, dentro do meu avaliar e nenhuma decisão tomar.

Eu já não sei se joguei todas as cartas, se existem cartas, se existem chances. Mas sei que não sirvo pra esse papel de coringa, tentando servir de tudo em qualquer posição, porque nesse momento a certeza que tenho é que não sirvo de nada. Não sirvo nada. Nem ninguém. 

Ao me bagunçar, te bagunço também.

Mas você não é a porta do meu quarto que eu posso simplesmente fechar. 

Então tudo o que eu tenho feito tem sido jogar mais roupas no chão. E elas se confundem, se ora limpas, agora todas sujas. Não adianta dobrar. Eu me transformei nesse quarto fechado. Com lixo e poeira e roupas sujas espalhadas por todos os lados, pela cama, pela cômoda, embaixo do colchão - tudo dentro de mim é mal-estar.
Mas eu não vou parar. 
Meu joelho pode até desmanchar.
Mas eu continuo esperando pelo dia em que esse ligamento vai - sozinho- reatar.
Morrer não dói.