quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

parede parada

Ando vagando pelo mesmo caminho comum, buscando pela casa que eu não reconheço como casa. Procurando pela vida, que já não consigo chamar de vida. Me disseram que as paredes foram demolidas. E assim perdida estou. Venho novamente dizer do que restou. Do que nao restou. Sem lar, sem controle, sem nenhuma segurança. Só um pingo de esperança e medo. E muito medo. Medo do caminho a noite escuro e sozinha. Medo dos homens que podem aparecer. Medo da minha mente tentando enlouquecer, sem eu saber se vou conseguir chegar em casa. E sempre chego. E ao deitar, medo de como será o amanhã. Se vai ser cinza ou se alguma alegria vem acalmar meu peito. Medo de não saber onde estou. De não saber onde vou chegar. Até onde vai me levar o que eu já sei. Medo de não conseguir ir além. de não ser nada além.

Continuo ficando pra trás na minha própria vida, não me resta nada, nem largada, nem saída. Me resta o peso da cabeça endurecida. O coração enfraquecido. E um travesseiro de pedra.
(Chega)

Sinto gosto de sangue na boca. 
Olho pras paredes - demolidas paredes - ao redor, e não me reconheço. Não sei onde estou. Aqui não é meu lugar. Mas também não tenho caminho. Alem das paredes, demoliram também meu coração. Meu amor próprio. Minha vontade de ficar. De continuar. De seguir. Não reconheço. Não me vejo em casa. Tenho gosto de sangue na boca e remédios na dispensa. Meia dúzia deles vão me fazer dormir. Mas não sei onde acordar. por quê acordar. Quero um lar. Quero segurança. Quero casa. 
As paredes demolidas jamais retornarão. Jamais.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Até logo



Eu to dizendo adeus
À culpa que me paralisa
Ao peso da estabilidade
Ao dever com a coerência
Eu tô dizendo adeus
A tantas reticências
Que coloquei no meu pensar

Eu tô tentando dizer adeus
Pra toda a certeza que tive
Pras coisas que não falei
Pra incerteza que te entreguei
Pro cansaço ao me levantar

Me deixa dizer adeus, coração,
A essa eterna loucura
Imploro ao encontro do meu maior medo:
Não me insista pra ficar.



Eu não consigo dizer adeus. 

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Oh, babe, a gente ainda nem começou.

Hoje tenho um aperto no peito me dizendo que devo partir. 
Um aperto da alma me dizendo que posso chorar. 
Uma mente quase inquieta me diz que não há pr'onde fugir. 
E tem um milhão de memórias implorando pra eu ficar.

Eu já não aguento mais esses tantos sentimentos confusos. Esses tantos sentimentos descarados e descartados que sabem muito bem como me perturbar. Viver tem sido uma resistência minuciosa dentro da minha falta de resiliência, dentro do meu sistema esgotado, dentro do meu avaliar e nenhuma decisão tomar.

Eu já não sei se joguei todas as cartas, se existem cartas, se existem chances. Mas sei que não sirvo pra esse papel de coringa, tentando servir de tudo em qualquer posição, porque nesse momento a certeza que tenho é que não sirvo de nada. Não sirvo nada. Nem ninguém. 

Ao me bagunçar, te bagunço também.

Mas você não é a porta do meu quarto que eu posso simplesmente fechar. 

Então tudo o que eu tenho feito tem sido jogar mais roupas no chão. E elas se confundem, se ora limpas, agora todas sujas. Não adianta dobrar. Eu me transformei nesse quarto fechado. Com lixo e poeira e roupas sujas espalhadas por todos os lados, pela cama, pela cômoda, embaixo do colchão - tudo dentro de mim é mal-estar.
Mas eu não vou parar. 
Meu joelho pode até desmanchar.
Mas eu continuo esperando pelo dia em que esse ligamento vai - sozinho- reatar.
Morrer não dói.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Processos oponentes

E eu que pedia uma vida cheia de emoção
projetava vias mesocorticolímbicas,
dias adrenérgicos
noites dopaminérgicas
- e as emoções vieram,
mas com erro na transdução -
agora me perco nesses sentimentos amidalares -
medo, ansiedade, sofrimento, dor.
Me perco nessa loucura: bipolaridade não tem cura
não sei de que lado fico, não sei de que lado estou.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Tem um barulho no peito querendo sair
tem você na cabeça que não para de chamar
essa é a segunda geração da minha poesia
e você, letra-a-letra, querendo rimar.
Tem uma música nova que não paro de ouvir
tenho milhões de projetos pra recomeçar
tem um chão que me olha esperando eu cair
tenho um quarto inteiro pra arrumar
tenho uma vida inteira pra arrumar
tenho uma vida inteira pra arrumar
.
.
.
.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

meu desafino.

Eu não posso mais desafinar
Mas já não sei em que tom cantar
Ou em que tom colorir as flores
do meu dia-a-dia...
Quem me dera se a vida 
fosse pura poesia
E a dor de amor me salvasse o mundo
E a certeza do segundo
me trouxesse a melodia
Que preciso
Que insisto em precisar
Como uma desculpa rasa para não se aproximar
Como uma desculpa imunda
pra poder desafinar.
Quem me dera saber mudar de tom
Sem ouvir um novo som
Sem me perder num novo olhar.
Mas não posso - nem com o novo, nem com o velho soar
Minha voz é fraca e a alma é dura -
Vai batendo, batendo, mas nunca cura
esse tal de mal estar.
(Fecho os olhos e espero: por quanto tempo ainda este agudo vai me levar?
Eu não quero mais desafinar...)


Eu não quero desafinar Mas já perdi o tom Já nao lembro mais Qual era o som Do seu amor Ao pé do meu ouvido O pé-com-pé eu nao sei mais Como sentia O teu olhar no meu O teu calor A tua rima. Eu nao posso mais cantar amor, eu desafino.

domingo, 29 de março de 2015

enquanto você grita "now you're just somebody that I used to know", eu vou cortando os pulsos com legião no fim da tarde...

sexta-feira, 13 de março de 2015

preciso de tanto

preciso
um aperto que me acalme o peito
um vinho que me acalme a alma
um sopro que me leve o desespero
um trago que me traga a calma.


(tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu)

segunda-feira, 9 de março de 2015

it's not about religion, it's about faith

it's not about religion, it's about faith. 
and it's not about sadness, it is about depression.

eu fiquei muito triste quando chegamos ao fim, mas não deprimida. A depressão já fazia parte de mim. 
falar de amigos, de planos, futuro, família - tudo isso pareceu inutil. Tudo isso parece nada. É não ter mais fé. Não ter um porquê. 
Parece besteira, mas quem tá de fora não entende. 
Não entende o que é não querer. O que é deprimir. Não é tristeza. 
Existe alguma diferença entre os quadros de depressão maior e menor.
No segundo caso ainda resta um pouco fé. Ainda resta uma ponta de vontade. de luz.  No primeiro, você beira (e muitas vezes chega) a loucura. O desespero é uma loucura. O desespero de não ter um porquê. 
E é preciso muita consciência pra não tomar decisões no impulso - pra não cortar o pulso.
Eu me vi em desepero. 
A precipitação de um estado sem fim. Existir foi difícil durante horas.
Entre gritos de medo e angústia, no fundo uma voz calma e confiante começou a aparecer: SOU BRAVO SOU FORTE SOU FILHO DO NORTE. 
Repeti inúmeras vezes até eu acreditar. 
Chamei dois amigos pra acreditarem comigo. 
Me senti em casa, verdadeira e maior amizade não há. 
SOU BRAVO SOU FORTE SOU FILHO DO NORTE. 

Me apego neste momento à essas palavras, e a esses amigos. Não sei como será minha noite, ou como serão os próximos dias. Sei apenas que mesmo na loucura, um ponto de fé surgirá - fé em mim. 
Não sei quantos comprimidos serão necessários. Quantos vômitos serão necessários. quantas vezes meu peito ainda vai doer e pensarei em Clarisse. 
eu não vou me entregar. não vou desistir.
me resta pelo menos uma certeza: SOU FILHO DO NORTE.

quinta-feira, 5 de março de 2015

it feels so scary.





it feels so scary.
it feels so scary.
it feels so scary.
it feels so scary.
it feels so scary.
it feels so scary.
it feels so scary.
it feels so scary.
it feels so scary.
it feels so scary.
it feels so scary.
it feels so scary.
it feels so scary.
it feels so scary.
it feels so scary.
it feels so scary.
it feels so scary.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Um dia desses você reserva um tempo pra mim? nem que seja só pra ter uma conversa franca e me dizer que não quer mais se preocupar com essa de guardar um tempo pra mim...




noites, fins de semana, feriados, carnavais - todos passam e a alegria? cadê?

sábado, 21 de fevereiro de 2015