sexta-feira, 22 de agosto de 2014

domínio do tempo

Sinto-me bem, mas também me sinto sozinha - há uma beleza enorme em tudo isso, há uma tristeza enorme em tudo isso. Quantas garrafas são necessárias? Quanto cigarros não-fumados ou mal-fumados serão necessários...
para me compreender?
para me colocar(em) realmente na busca - por mim, pelo mundo, pelo meu mundo - ?
Não estou necessariamente abandonada por mim, o desamparo não é realidade, a procura é.
Mas é uma procura lenta, lerda, arrastada, que me deixa atrás de mim mesmo, o corpo não responde ao comportamento, a alegria não satisfaz.
Um pesar aparece em tudo que amo - um medo súbito, incolor e inodoro que transforma qualquer recompensa em dor. (não quero mais)
Não quero mais
minhas palavras vazias
tantas noites vazias
tanto recolhimento, tédio e horror. Não quero mais!
Quero o domínio do tempo, domínio de meu pensamento, domínio do que restou.
Quero de volta a memória, mas nada de nostalgia, quero de novo a alegria de me lembrar quem eu sou.


Sinto-me bem.

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