terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Contra o tempo

Eu não sei  o quanto da vida é poesia,
o quanto é verdade.
Flor perfumada que (só) se abre a noite.
Flor do Luar na seca - chuva seca, pele seca. Ásperas palavras que se tocam em dor.
Seria vida buscar rima em cada verso?
Seria amor?
(minhas palavras sozinhas não fazem verão)
Buscar métrica é desperdício
Buscar coragem é sacrifício
Buscar rima é covardia
Em toda estrofe me falta um dia
Em cada texto me falta paixão



E eu ainda não sei o quanto da vida é poesia.
Será que é?
Um choro engasgado - e engajado - de um ano inteiro.
Um choro que me espinha a garganta - whisky cowboy - me arde os olhos e o peito.
Olhos ardentes desaguam gole a dentro, revolta afora: descontentamento. Descontentamento é o carinho perdido desse momento. Te vigio o sono, te pego no colo, papel invertido - esse é meu medo.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

mas é preciso uma paixão
mesmo que cega, 
mesmo que burra,
para não nos acharmos perdidos
para não nos acharmos "em vão"...

eu não quero ser em vão.

domingo, 20 de outubro de 2013

rotineiramente

prondé que eu fui?
eu sei que fui, fui me acostumando a não matar a sede nem a fome.
fui me acostumando com a bagunça do quarto
fui me acostumando em 'fazer depois'.

Pra onde é que eu fui?
eu sei que fui, e que agora estou cansada. pernas bambas, cabeça pesada.
caminhei montanha-acima nessa ladeira de pedra: não vejo sol, nem mar. nem navios naufragados.
Não vejo nada.

Essa calma e segurança não existem, não condizem.

Mas me diz, quando é que você volta? que é pra eu voltar também.
Hoje é domingo e eu sei que não é hoje: talvez você chegue na quarta, mas quando é que você volta?
Que é pra eu voltar também.
EU QUERO VOLTAR, EU QUERO! mas não quero ficar só. sozinho é chato, sozinho é muito ruim. Ir sozinho já não é legal, mas ficar é ainda pior. Por isso eu fui, mas pra onde é que eu fui? que eu não encontro nada, eu não me encontro...









[No fim de tudo eu me levanto, mas sento no sofá da sala.]

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

um dia a disciplina me agarra

é de um papel em branco que preciso
com letras derretidas,
todas as letras borradas
de angústia,
de liberdade.
milhares de folhas em branco que inicio com uma frase mal escrita, uma fase mal ensaiada. texto descabido.
não gosto:
amasso - lixo... angústia.
Não, amassar não é suficiente - rasgo a folha em branco, esmigalho, vira pó. Um mundo de folhas brancas em pó.
O pó que se espalha pelo chão do quarto, por cima da mesa.
O pó que não me deixa respirar: espirro.
Troco o texto, viro o disco - um mundo em branco não me basta. Não me bastam as letras borradas. Limpo a casa de madrugada e recomeço...





[um dia eu escrevo todas aquelas palavras.]

domingo, 21 de julho de 2013

Vamos falar de pesticidas e de tragédias radioativas.

Natália.
it's missing a letter.
Haven't you talked about love...?
I'm the 8th element.
the H of the words.
no sound,

no sound.



(...)

sábado, 20 de julho de 2013

chave inglesa

Pinto o retrato vazio
finjo que sei
como com todo o resto
me uso de (algumas) palavras bonitas
e do discurso alheio para pseudo-argumentar. Sou um
Carlos de todo dia.
Nada sei
e esbanjo de falsa sabedoria.







(Imaginação
A imagem exite, todo o resto
não.)

domingo, 30 de junho de 2013

é outro nível.
é saber.
bebo do meu próprio veneno
você me dá um copo de silêncio
e eu viro.
viro, reviro e me contorço em pensamento



e me afogo
e me INveneno - não me deixa dormir.





pé-com-pé

de outro dia

fujo pela porta da frente
apago meu cigarro no poste da esquina,
voce não está no meu cinzeiro. Não está na fumaça que me atinge, de súbito, a cabeça.
Onde está? São Paulo? Recife? Nova York... Novo Horizonte?
Quero novos ares. te quero nua e a paixão de antes.
mas a memória latente da tua ausência não me deixa
respirar
o ar está denso demais
a tarde já foi embora.




m de mandy

e ela alí, toda errada e perfeita.
tendo me deixado sem argumentos, antes mesmo de dormir.

domingo, 24 de março de 2013

they dont want to listen
do they need.
?
do i deserve?
they do  sleep
i want to write
will i die?



they scream. they'll never hear.
even though i tell it and just tell it every and evereyday: they just want to say and say and ask for your words - YOUR FUCKING WORDs! but they never really want to hear...
eles querer dizer a sua opinião, a minha, a nossa. eu nunca sei. eu nunca sei o que dizer. voces dormem quando eu digo, voces fogem when i say?
do i really want to say?

quinta-feira, 7 de março de 2013

outras caixas

o vento, a água, o nada.
agora chove dentro de casa.
não é mais o ciume doentio que nos corrói.
eu corroí. joguei ácidas palavras no delicado peito - quase - sem proteção.
Eu não tenho mais proteção, eles se foram.
Eu fui.
Eu fiz você ir.


Yesterday was the day that i (should have) died.