sábado, 6 de outubro de 2012

pelos corredores

dia nublado.
as cores voltam a bater na janela. novas cores. todas as cores. todas as cores de um dia bom.
acordo e há um silêncio enorme em casa: não estou só - teu gesto recente e calmo persiste aqui, traz o calor e a certeza que preciso.
Certeza. certeza que exclui o tempo, os porquês, certeza de que vamos crescer uma coisa boa juntas. certeza de noites bem dormidas mesmo que por poucas horas.
Pergunto-me se deveria mesmo ter esperado "baixar a poeira" se já me encontro de pé. E não espero. Te senti de longe, não quis esperar. não tinha que.
sentir o real a cada instante.
a ausências dos jogos todos. as palavras bem ditas. todas as verdades.


O cenário é o mesmo.
O cenário é o mesmo, mas essa história não se encontra mais no plano de fundo daqueles corredores. Não somos mais meros figurantes doutra cena: o início do segundo ato. o encontro da procura mútua. Como isso aconteceu? como o encontro aconteceu? você agora está aqui todos os dias de repente. de repentemente. você cresce você cresce e eu não quero que pare. não exite avenca. não espero nada, mas as janelas e portas e telhado já estão abertos. não há texto, mas não sinto o desespero do improviso. é natural. é teatro-vida. não há atuação. nem interpretação. é leve MEU DEUS DO CÉU é leve. você me vê. descreve minhas linhas sem saber. e-xa-ta-men-te do jeito. do jeito pensado. do jeito querido. do jeito premeditado. do jeito inflamado. do jeito explosivo. do jeito mundo-vida-furacão-tsunami. você sabe quase sem querer, confusa e numa simplicidade suprema. e-xa-ta-mente do jeito.


me ferve o líquido pulsátil. me molha o corpo inteiro em formigamento. me traz a carne à vida, a mente ao vício. me faz envergonhar pelas minhas idéias infantis, pelo descobrimento do mundo novo. me mostra tua maturidade elegante em cada olhar, em cada vírgula, em cada quase-silêncio. meu mundo inteiro mudou de cor.




e de traços.



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