domingo, 16 de dezembro de 2012

Notas de um dezembro melancólico

eu fujo das coisas.
eu queria estar suficientemente perto de tudo a ponto de não perder nada.
mas eu fujo.
eu toco de longe.
me perco na minha própria distância.
no fundo não acredito nessa intolerância, nessa tolerância, nesse não estar.
mas vivo como se acreditasse. como se acender a memória a cada seis meses me fosse suficiente - não é.

E de repente tento (me) agarrar (a) tudo de novo.
Por quanto tempo?






Por quanto tempo?


.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

o desespero do não conseguir.
o desespero do dia-sim-dia-não. quase tudo tentar. idealizar-alcançar.
tudo papel. só papel.
e seda.
nada voa. nada vive. nada sobrevive a esse eterno mal estar. essa agonia de não ser. de só querer. o desespero de fazer pela metade. maus resultados. protocolo indeferido do dia-a-dia.
é difícil focar sem olhar pra frente - mas eu consigo.
como não planejar? como viver de presente? como não viver o presente?
o interno eterno avesso.
é difícil sentir sem dizer - mas eu consigo.
como continuar sendo só mais um? só mais um nada que de nada vive. que de tudo aceita. que tudo permite. que tudo reclama - que nada muda - que nada vive?

Quais são as flores?
O calor do quarto é in-su-por-tável. E você continua aí, derretendo junto à parede, agarrada ao travesseiro que nem conforto traz.

o desespero instala-se em segurança, calmo. habita junto ao corpo, vira detalhe ao espelho, passa despercebido. vira pó. vira vontades mal pensadas. vira propostas mal formuladas. vira prazos não alcançados, peso enraizado. verso mal escrito, texto mal ensaiado.


o desespero me apatiza.



sábado, 6 de outubro de 2012

pelos corredores

dia nublado.
as cores voltam a bater na janela. novas cores. todas as cores. todas as cores de um dia bom.
acordo e há um silêncio enorme em casa: não estou só - teu gesto recente e calmo persiste aqui, traz o calor e a certeza que preciso.
Certeza. certeza que exclui o tempo, os porquês, certeza de que vamos crescer uma coisa boa juntas. certeza de noites bem dormidas mesmo que por poucas horas.
Pergunto-me se deveria mesmo ter esperado "baixar a poeira" se já me encontro de pé. E não espero. Te senti de longe, não quis esperar. não tinha que.
sentir o real a cada instante.
a ausências dos jogos todos. as palavras bem ditas. todas as verdades.


O cenário é o mesmo.
O cenário é o mesmo, mas essa história não se encontra mais no plano de fundo daqueles corredores. Não somos mais meros figurantes doutra cena: o início do segundo ato. o encontro da procura mútua. Como isso aconteceu? como o encontro aconteceu? você agora está aqui todos os dias de repente. de repentemente. você cresce você cresce e eu não quero que pare. não exite avenca. não espero nada, mas as janelas e portas e telhado já estão abertos. não há texto, mas não sinto o desespero do improviso. é natural. é teatro-vida. não há atuação. nem interpretação. é leve MEU DEUS DO CÉU é leve. você me vê. descreve minhas linhas sem saber. e-xa-ta-men-te do jeito. do jeito pensado. do jeito querido. do jeito premeditado. do jeito inflamado. do jeito explosivo. do jeito mundo-vida-furacão-tsunami. você sabe quase sem querer, confusa e numa simplicidade suprema. e-xa-ta-mente do jeito.


me ferve o líquido pulsátil. me molha o corpo inteiro em formigamento. me traz a carne à vida, a mente ao vício. me faz envergonhar pelas minhas idéias infantis, pelo descobrimento do mundo novo. me mostra tua maturidade elegante em cada olhar, em cada vírgula, em cada quase-silêncio. meu mundo inteiro mudou de cor.




e de traços.



Posso te dizer das (não muitas) paixões que, por vezes, me perdi entre os degraus. Idealizei e quis por perto para humanizar. noutras, humanizadas, não quis ver e desenhei altares. Mas agora, tu, tu chegaste assim. Chegaste inteira, viva, tocável, tão humana quanto Eu,
andando o mesmo caminho, buscando por entre vírgulas e acasos
um não motivo
uma luz
um viver








em paz.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

e novamente me gritam que nada sei de mim
me inserem a ideia do fim.



quinta-feira, 21 de junho de 2012

a vontade é de ligar
pegar o telefone, arregaçar, dizer que não

mas não
me calo


como sempre


sexta-feira, 18 de maio de 2012

de tempos em tempos

o teu cigarro sem pena no meu braço, no teu embaraço. tuas flores não arrancadas, teu sentimento desabrochado. teu corpo, tua dor, tua cara.
meu estômago.
meu desconsolo ensaiado.
minha entrega extraviada.

meio tempo.

um sol.
minha luz, minha casa - minha morada.


domingo, 29 de abril de 2012

domingo de chuva

a chuva não para
e você, gota a gota, fazendo enxurrada no meu coração.




terça-feira, 24 de abril de 2012

há um conforto enorme no peito acalentado, nos dias desiguais. no todo-dia que vira um dia só. há um suspiro, uma calma, mesmo na lembrança, mesmo no desconforto externo. há um sorriso bobo, um olhar sonolento, um desespero bom de querer envolver - ser envolvido.
ter envolvido.
estar envolvido.
você me envolve muito.








e há palavras que firmemente tentei prender entre os dentes.
agora não mais...

terça-feira, 17 de abril de 2012

tenho pensado de - ma - si - a - da - mente em você
mente em você
mente em você
mente em você
mente em você
.
.
.







mente em você,
braços, olhos e vísceras.







[quanto tempo faz?]




quarta-feira, 28 de março de 2012

o hábito da palavra

o hábito da palavra,
o querer dizer (depois de tanto tanto esforço no silêncio), o novo sentir. o querer mergulhar, como se qualquer água fosse nada, perto daquele mar. perto do fogo.
bifurcações.
a tal segurança. a tua segurança. tua.

(quem é você?)

quem são vocês?







O gelo-pedra, que se espalha estômago afora, não faz parte desse peito aqui. Não mais.
















E eu quis dizer: o hábito da palavra.

quarta-feira, 21 de março de 2012

de repente.

meu coração não aguentou pensar que ficaria assim, vazio, por muito tempo, por algum tempo. e foi se enchendo dessa esperança que cresce paixão ilusão com sentido ou não. bombeando e enchendo enchendo sem saber por quê. sem saber se é passional ou consciente. sem saber que se perde, sempre, dentro dessa razão implícita.
meu coração que não quis cansar de bater. que só quis pulsar. e que pulsa, fervente. fervendo. ardendo, empurrando adrenalina-corpo-inteiro. de repente a gente olha e pensa que foi 'de repente'. de repente nem faz sentido, nem vai fazer, mas a ideia é boa. é válida.
as possibilidades. os prováveis encontros. o sabor do desencontro. do desfazer. criar altares.
as tuas bifurcações - as minhas. as novas esquinas. os novos olhos, quem sabe tão profundos ou até mais...








ou até mais.

terça-feira, 20 de março de 2012

não quero mais fingir que esse é um sonho nosso. não foi. oblíqua conclusão do juntar, do parecer.
meu sonho é só
meu.




quarta-feira, 7 de março de 2012

vem vem vem vem e diz, um frio calafrio no peito e um foco de formigamento na
perna. Presença vazia, mãos não minhas. proximidade, introspectividade. umergulho,
cair dentro de mim conforto, mãos, sombras posição joelhos. desfazer. presença,música.chuva. passar. repassar. ressentir, sem ressentimento, só sentimento. deixar mais calmo: conforto. nova dose oura não sombra, mão. Passou?

dois ou três

 e encontrar uma casa na asa de quem também quer voar.

terça-feira, 6 de março de 2012

e um afago.
um afago, um consolo, um soro de vida.





quero a nudez do todo-dia.






quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Encaixe! (encaixote)

que vontade deu de entrar alí, naquela caixa. caixa caída e ficar quietinha, quietinha, esperando tudo passar. tudo o quê? estou tão bem. tudo tem estado tão bem. estou feliz. mas a vontade de entrar na caixa existe.. existe. chamativa, é só fechar as abas, fica escurinho e livre. dentro de uma caixa.
e depois abrir. abrir todas as caixas, e organizar. tudo no seu "devido lugar". bem, quase tudo...
porque sempre sobra um restinho desajeitado, que cansado, a gente joga na gaveta em que houver espaço.

leve!
leve, traga, trague, estrague, extraia, traia, viva.
so-bre-vi-va.
sobressaia, sem ensaio.
só assanhe. sin-ta.
minta.
morra. voe. viva.



terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

preto, desbotado.
tenho em mim todas as cores. todo um arco-íris cheio de. cheio de quê?
não sei direito de mim. nada de ti.
sei do amor, que jogo. eu vou mandando, vou mandando embora
você ainda não possa receber... mas aqui dentro não pode ficar.
aos pouco, lento e cheio. cheio de um milhão de coisas pra fazer. cabeça cheia. casa cheia. mochila cheia.
E coração?
vou fazendo. não sei se dura.
aquela quarta-feira está aí...
e o amor?



violino rangente.



quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

canto lugar

Eu não quero fechar a porta, eu vou abrir as janelas e deixar a luz acesa. Eu não vou fechar. nem me fechar. eu nunca me fechei, sabe? Eu tô aqui, aberta, jogada, de lado, caída, cabeça apoiada, pensamento no chão. Mas eu tô firme. eu tô querendo que o vento entre e saia, entre e saia várias vezes. vou jogando no papel mesmo que rasgue. mesmo que me rasgue. eu deixo rasgar e não quero. eu te rasgo, revido e rasgo. eu precisei fechar. o silêncio é casa. a vida, tumulto. de semana em semana somos um milhão em cada minuto. estou só, mas não muito - tenho amigos invisíveis por todas as partes. nenhum grito assustará. nenhuma mudança assustará. vou. só e firme. meu canto é renascer. meu encanto é renascer.
não desafine.





segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

vou jogando no papel, mesmo que o rasgue...

minha casa tá vazia. tá uma bagunça. eu não sei arrumar. eu sei arrumar eu não quero arrumar. porque as caixas não chegaram. as caixas que tenho estão cheias. asvezespareciaquedetantoacreditaremtudoqueachavamostãocertoteriamosomundointeiroeatéumpoucomais... eu tenho que sair desse meu mundo-caixa-vazia. eu não vou fingir. nem acreditar. eu acreditei demais. não vai causar problema algum. eu não sou um ser preparado. não sou um ser preparado pra nada além do que eu acredito. minha casa tá vazia e cheia de baratas. e cheia de palavras nulas. meu silêncio nunca foi vazio, então, por favor, se vier falar comigo, fale de palavras cheias. FALE DE PALAVRAS CHEIAS. eu não sei, não dói. "quando ela se corta ela se esquece..." eu acreditei no além. o louco que acredita no além. Sou Ruiska. Tenho um milhão de coisas pra fazer, casa pra esvaziar, caixas vazia pra arrumar. Casa aconchego pra encontrar... e fico aqui escrevendo o de dentro. Escreva aquela palavra ao contrário. Fale do. Sabe o que eu acabei de descobri e sorri? Descobri que o teu vazio jogado em mim era bem maior, bem maior e doloroso. Porque virava o "meu vazio". Arrancavas em dobro de dentro de mim. Estou aqui, com um sorriso bobo, triste e bobo, e só. Mas não dói. Talvez porque o sol tá lá. Não sei da Lua... Sei que não ter dói muito menos que ter a metade. E não é egoísmo. Não meu. Uc.