quinta-feira, 6 de outubro de 2011

escancarar

Pára de querer representar.
Eu tô aqui olhando aquela mesma velha fotografia que a gente nunca tirou. de céu azul e límpido e foco distante, se lembra?
Mentira, o céu era cinza. tudo cinza. era vermelho cor de sangue escorrendo pelo braço quando se aperta um coração por entre os dedos. cor de grito escancarado e mudo. grito cinza. cinza vermelho. vermelho cinza. você acha que só dói se fica a marca. mas a marca não fica. a marca é.
Volto a dizer que a dor é bem menor. bem menor.
Volto a dizer da fotografia.. aquela à tardezinha, lembra? eu me lembro muito bem dos raios que ainda restavam cortando o céu que fora um dia fora azul vindo e alumiando o teu riso escancarado. o teu sorriso o mais lindo até quando não tinha sol nem lua nem céu azul nem cinza. o teu sorriso, o mais bonito que deixava o meu olhar tonto, caído, e alma escancarada.
No dia daquela velha fotografia caiu chuva. choveu mas nada molhou. continuou seco o chão, foi só o vento batendo a janela. o frio foi de mentira. a água foi mentira. e o amor. e o amor?
foram tantas palavras apagando e refazendo imagens. tantas palavras não ditas e repetidas. 12 posições. luz demais. foi tão claro que queimou. não.
Aquela nossa velha fotografia não tem nada.
Tem apenas um (um) par de asas e um ninho.
dizendo que o amor basta.
e basta.


(?)


[falta só você também acreditar nisso.]

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