sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Eu posso até não falar nada, mas eu quero que você me escute.

domingo, 23 de outubro de 2011

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

14.10

sozinho sozinho sozinho sozinho sozinho sozinho chuva
eu precisava escrever pra alguém
mas pra quem escrever?
tô cansada de eu mesma ler
tô cansada dessa solidão que me faz completa
dessa solidão que me invade num pensamento nulo e chega à ponta de cada dedo
dessa inutilidade.
desse ser um nada
desse fazer tudo em pensamento e ser um nada
(dói. dói querer fagocitar essa tua cápsula protetora)
dói sentir-se só.
dói expor-se (a tanto custo) e descobrir-se desinteressante.
e depois ainda ouvir falar em medo.
sozinho sozinho sozinho sozinho chuva
que chova todos os dias aqui dentro
que chova todos os dias aí dentro
amanhã passa e nada vai ter mudado
nada
nada


.

sábado, 8 de outubro de 2011

40 minutos de epifania: o devir

Eu entendi.
Ficou claro, bem mais claro.
É hora de mudar. Mudar o lugar - sem precisar mudar de lugar.
É hora de ser. De se assumir - não para o mundo, mas para si mesmo.
O clarão que o céu nublado mandou me disse que 40 minutos de epifania não devem ficar presos àquela janela. O vidro nos deixa ver, mas não ultrapassar.
Ultrapassar cabe a mim.
E o devir há de vir para o bem. (Foda-se que você ache ridículo o clichê-trocadilho)
O devir. O destino da palavra. Traçado.
Tornarei-me quem sou




porque agora eu sei que sou.





quinta-feira, 6 de outubro de 2011

escancarar

Pára de querer representar.
Eu tô aqui olhando aquela mesma velha fotografia que a gente nunca tirou. de céu azul e límpido e foco distante, se lembra?
Mentira, o céu era cinza. tudo cinza. era vermelho cor de sangue escorrendo pelo braço quando se aperta um coração por entre os dedos. cor de grito escancarado e mudo. grito cinza. cinza vermelho. vermelho cinza. você acha que só dói se fica a marca. mas a marca não fica. a marca é.
Volto a dizer que a dor é bem menor. bem menor.
Volto a dizer da fotografia.. aquela à tardezinha, lembra? eu me lembro muito bem dos raios que ainda restavam cortando o céu que fora um dia fora azul vindo e alumiando o teu riso escancarado. o teu sorriso o mais lindo até quando não tinha sol nem lua nem céu azul nem cinza. o teu sorriso, o mais bonito que deixava o meu olhar tonto, caído, e alma escancarada.
No dia daquela velha fotografia caiu chuva. choveu mas nada molhou. continuou seco o chão, foi só o vento batendo a janela. o frio foi de mentira. a água foi mentira. e o amor. e o amor?
foram tantas palavras apagando e refazendo imagens. tantas palavras não ditas e repetidas. 12 posições. luz demais. foi tão claro que queimou. não.
Aquela nossa velha fotografia não tem nada.
Tem apenas um (um) par de asas e um ninho.
dizendo que o amor basta.
e basta.


(?)


[falta só você também acreditar nisso.]