segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

o relógio da igreja pelo portão de casa





t
inha tanto pra ser escrito. tanto.
eu não quero a impressão da não existência só porque não ficou no papel.
está aqui, está em nós. nada foi nem será perdido. nem pedido.
vão se atropelando (os acontecimentos) e não me dão tempo. Se paro, perco o próximo.
Então, num segundo de silêncio, me resta dizer sobre o não dizer.
Eu tô aqui, eu vi tudo. embaralhado e salvo.


.


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

"o coração entreguei-lhe a ela"

inúmeros encontros, várias vezes por dia.
A felicidade é um passo,
o conhecimento, vida.
Libertemo-nos do peso: ser agora.

Trouxeste-me vida desta vez.
O coração torna-se pulsante.
Quero quebrar a rigidez que a muito me atingiu, e não é minha. Quebrar a dureza enfraquecida desse rosto - falso retrato. O amor é maior, o perdão é cura. Fechar-se é adormecer sem sonho. é deixar latência em algo prestes a se resolver: basta querer.
Não quero mais a dor de quem vive procurando defeitos - quero a paz, os anjos e os rituais.
Leve, sejamos assim.

O mundo tenta encapsular-te em uma bomba programada pra se auto-destruir em cinco...
o rádio-relógio dos dias não deve te abalar, o tempo não grita, o tempo não é.
As luzes de dezembro não devem te abalar.
Os dias e noites passados só mostram o quanto já fez: você vê?
Embaixo da cama há um mundo inteiro de poeira e sonhos, pra você espirrar e sobreviver. e continuar.
me abraça que a noite tá fria e a gente tá junto. e a gente continua. não vamos esquecer. não vamos deixar. me abraça que eu tô com medo, medo criado, medo mentira, ele não existe, não deixa existir. não me deixa. eu vou com você. está tudo bem. o tempo não é e a gente tem todo o tempo. dessa vez vai dar certo.




quarta-feira, 16 de novembro de 2011

nervos

gasto e sujo - vermelho encardido. quem mais me acompanha? quem mais acompanhará? à falsa consciência do desapego: todos precisam do velho amigo cão. não sei. eu vi uma cruz de madeira no meio do gramado verde verde. e árvores e frutos. jaca e manga. existem cores. sim. o cinza também é uma falsa impressão. pergunto: aguento? é só orgulho (meu)? e se não der certo. não passar. não for o melhor pra mim.(?) a certeza da segunda chance nunca existe. passa. passo. nada disso importa.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Eu posso até não falar nada, mas eu quero que você me escute.

domingo, 23 de outubro de 2011

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

14.10

sozinho sozinho sozinho sozinho sozinho sozinho chuva
eu precisava escrever pra alguém
mas pra quem escrever?
tô cansada de eu mesma ler
tô cansada dessa solidão que me faz completa
dessa solidão que me invade num pensamento nulo e chega à ponta de cada dedo
dessa inutilidade.
desse ser um nada
desse fazer tudo em pensamento e ser um nada
(dói. dói querer fagocitar essa tua cápsula protetora)
dói sentir-se só.
dói expor-se (a tanto custo) e descobrir-se desinteressante.
e depois ainda ouvir falar em medo.
sozinho sozinho sozinho sozinho chuva
que chova todos os dias aqui dentro
que chova todos os dias aí dentro
amanhã passa e nada vai ter mudado
nada
nada


.

sábado, 8 de outubro de 2011

40 minutos de epifania: o devir

Eu entendi.
Ficou claro, bem mais claro.
É hora de mudar. Mudar o lugar - sem precisar mudar de lugar.
É hora de ser. De se assumir - não para o mundo, mas para si mesmo.
O clarão que o céu nublado mandou me disse que 40 minutos de epifania não devem ficar presos àquela janela. O vidro nos deixa ver, mas não ultrapassar.
Ultrapassar cabe a mim.
E o devir há de vir para o bem. (Foda-se que você ache ridículo o clichê-trocadilho)
O devir. O destino da palavra. Traçado.
Tornarei-me quem sou




porque agora eu sei que sou.





quinta-feira, 6 de outubro de 2011

escancarar

Pára de querer representar.
Eu tô aqui olhando aquela mesma velha fotografia que a gente nunca tirou. de céu azul e límpido e foco distante, se lembra?
Mentira, o céu era cinza. tudo cinza. era vermelho cor de sangue escorrendo pelo braço quando se aperta um coração por entre os dedos. cor de grito escancarado e mudo. grito cinza. cinza vermelho. vermelho cinza. você acha que só dói se fica a marca. mas a marca não fica. a marca é.
Volto a dizer que a dor é bem menor. bem menor.
Volto a dizer da fotografia.. aquela à tardezinha, lembra? eu me lembro muito bem dos raios que ainda restavam cortando o céu que fora um dia fora azul vindo e alumiando o teu riso escancarado. o teu sorriso o mais lindo até quando não tinha sol nem lua nem céu azul nem cinza. o teu sorriso, o mais bonito que deixava o meu olhar tonto, caído, e alma escancarada.
No dia daquela velha fotografia caiu chuva. choveu mas nada molhou. continuou seco o chão, foi só o vento batendo a janela. o frio foi de mentira. a água foi mentira. e o amor. e o amor?
foram tantas palavras apagando e refazendo imagens. tantas palavras não ditas e repetidas. 12 posições. luz demais. foi tão claro que queimou. não.
Aquela nossa velha fotografia não tem nada.
Tem apenas um (um) par de asas e um ninho.
dizendo que o amor basta.
e basta.


(?)


[falta só você também acreditar nisso.]

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Não sei, só vai fazer sentido às vezes.

É preciso aprender a ser só. Não pelas partidas, mas porque é assim que a gente chega.
Aceitar a ser só.
Aceitar que você será sempre o único a saber o real motivo pelo qual seu coração sangra.
É preciso ser completo e só.
Saber que sua simetria bilateral deve ser o suficiente para (sobre)viver.
Não, não é sóbre estar só.
É sobre arrumar o seu quarto como você quer. Ou não arrumar quando não quiser. É sobre levantar ao primeiro toque do despertador ou perder a aula.

(...)


É preciso andar aqueles mesmos quarteirões por diversas vezes ainda com o nó na garganta até saber ser só.


Não sei, só vai fazer sentido às vezes.


[Hello darkness, my old friend,
I've come to talk with you again,
Because a vision softly creeping,
Left its seeds while I was sleeping,
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence.]

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

independência?

Rosto inchado de tristeza
este pôr-do-sol não tem sentido.
Cadê? Cadê os planos se fazendo reais à medida do sonhar?
E esse "sonho" que não acaba nunca? E esse domingo à noite com você chegando que não chega?
A muretinha tá vazia. meu peito tá vazio.
Falta você.
Falta você, pretinha.




[não é independência.
não é morte... mas é como se fosse]


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

quatro. (a zero)

Cadê os dedos?
Cadê os dados?
Não quero jogo
Não quero perder
O que um dia eu fiz
?
Ou tirei.
Fotos, grafias, escritos
cinema
mudo.
Mudo.
Guardei todo o meu mundo pra um dia nunguém ver.
Renascer.
Cadê as formas? Os risos? O contato?
Me deixa recuperar.
Recompor a caixa de arquivos.
Espaço nulo.
Cérebro nu.
Formatar.
Idéias.
Matar a forma que um dia foi.
Reiniciar

hojeeuvousairdecasavoudeixarasmágoastodaspelochão

(Um)

No good alone, I miss you.
o vício. Todas as palavras já perdidas.
Tudo o que te deixo
pensar.
Todas as minhas palavras não ouvidas, mal interpretadas
não interpretadas.
Todas as minhas vontades que nunca sairão.
Todas as minhas idéias, angústias, rebeliões.
Não quero solução, só exposição.
Não quero uma posição
Todas as palavras, tudo que se perdeu na minha página imaginária.
Agora nem papel nem sonho
Passado apagado.


Dois.


O fone no ouvido, a bateria acabada:
Não há música. O que entra na cabeça não é maior do que o qeu já está aqui.
Eles fazem de conta que escutam
mas só querem emitir.
omitir.
mentir.
O mito do sentimento nem sequer passou por perto.
São só palavras jogadas.
Um faz-de-conta tão bonito.
Cadê a profundidade?
Cadê a profundidade?
Me afundo mais em mim cada vez que redescubro a não existência das relações.
Me toca. Ou morre.


Três



Não vou ouvir a opinião.
Não é se fechar, é se abrir e mostrar MINHAS escolhas há muito já feitas e nunca usadas. ousadia? Eu vou ser. Nem que seja só eu. Eu vou ser. Eu vou mudar os móveis de lugar e encontrar uma casa na asa de quem também quer voar.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

tua piscina

Fodam-se vocês que nem ligam.
Fo-dam-se!
Eu aproveito a dor pra me rasgar e me fazer botar pra fora todas estas lástimas. Todos estes parênteses ocultos. tudo isso que me corta e não te quer machucar. Eu deixo que me rasgue. assim. sozinho. esperando que volte. você.


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Só porque a melhor música é a que toca quando você olha no fundo dos meus olhos.
Você é a melhor música.


terça-feira, 26 de julho de 2011

26 de julho

Inicío e fim repetidos, aos milhares, todos os dias.
Dolorosamente eu arranco o que,
em silêncio,
teima em ficar em mim.



Não deixo (mais)


domingo, 17 de julho de 2011




T
udo encanto
em qualquer canto da sala ou do meu quarto
A janela eu deixo aberta para ver o sol passar
E pousam...
pessoas sentimentos palavras doces - sobem a escada em pousam em nosso mundo bom.
Copos e sorrisos completando (contemplando)a noite-dia ao som do bom som que todos dançam.
Faz-se luz à meia-luz da madrugada.
Todo encanto
Brasa e amor em qualquer canto da sala ou do meu quarto...






[tudo encanto. me encanta o riso dela. a janela tá fechada pra não deixar a luz sair]

terça-feira, 28 de junho de 2011

um preço




e
mbora um pedaço sempre falte
eu tenho muito, tudo, não há do que reclamar;
não me deixa, Pai, que eu caia entre eles.
que meu corpo vomite os erros da minha alma doente...








[delírios de uma terça-à-noite sem estudar ]



quinta-feira, 9 de junho de 2011

Não tinha que ser só representar.
Pra quem já implorou a dor, seria o vazio agora
solução?

sexta-feira, 3 de junho de 2011





M
as eu lhe digo: amadurecer é enlouquecer, meu amor.
E o mal do mundo é a sanidade.


"Enlou-cresça!"

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Os ponteiros

Fácil, de fora
drama, por dentro.
O tempo não é substância, e, a distância
não é tempo.
Não há tempo
A todo o tempo o tempo não é nada...
aproveita a madrugada e volta pro teu quarto






Vou tomar um banho quente.




domingo, 8 de maio de 2011

She won't let you fly





Q
ue é pai, irmã, amiga, bruxa e mãe.
Que a gente só dá valor quando não está por perto, e mesmo assim ela insiste em estar sempre por perto.
que tira a cólica e o medo do mundo.
Que nunca mais dormiu direito.
Que pra gente só tem defeito, embora seja a melhor.

(...)


te amo mãe.



terça-feira, 3 de maio de 2011

Fez-se noite.






(fria)


"Ah, mas que sujeito chato sou eu
que não acha nada engraçado
macaco, praia, carro,
jornal, tobogã
eu acho tudo isso um saco."

sábado, 30 de abril de 2011

Seis ou mais.




"
...mas quando a gente menos espera, e quanto menos a gente espera, nossa casa (e não castelo) constói-se a nossa frente, pode ter certeza."




[deve fazer um bom tempo]



sábado, 23 de abril de 2011

Falsa comparação

No primeiro dia, crucifica.
Depois, apatia.
Três dias passados e você já nem entende o que foi. porque tanto sofrimento se tudo passa?
Pra sentir a alegria e leveza dos medos quebrados...
Se for sempre assim, eu aceito. Aceito o sangue inventado. Aceito que as cicatrizes se abram..


Mas eu quero o vinho, tinto e suave, no terceiro dia.


(falsa comparação)

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Tiradentes

Tento dormir com a janela aberta - por esperança de movimento - mas os desertos se invadem mutuamente (o de lá fora com o daqui de dentro).
O céu resolve nublar-se nesses dias em que você não está (mesmo que todos estejam vendo mil estrelas).
São feriados de dor para a morada do sol. Só não pára o meu coração.
Não posso te chorar minha dor esta noite.
sou nó.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

não quero

Eu não tenho acompanhado a vida, sinto.
Sinto que as coisas estão passando mil e uma coisas passando perto e longe e eu não estou tocando nada e sentindo muito sem tocar nada e é difícil parar assim deslizando sobre os fatos. estar longe. crescer. estar perto. fundir. dar um tempo, não sei em quê.
Superficialidade que não me deixa cair (dentro de mim). E preciso.
É a metalinguagem dos dias que acaba com a gente.

domingo, 13 de fevereiro de 2011





D
ias que pintam em traços fortes o que virá
Fingir passos leves
Contornar.



terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

(Pânico de Solidão)





U
m caminho que se abre para nunca mais.
desesperador.
o desconhecido consegue ser assim: desesperador.
Quarto escuro de casa alheia - onde estará o interruptor? Devo entrar? Como fugir?
Pânico de solidão.
Peças que não fazem falta no tabuleiro-vida. Ver-se de fora. Sentir-se nada - sentindo tudo.
Medo.
Consciência do inteiro em milésimos de tempo. "Eu vou ficar bem. Eu sei que vai passar. Isso é tudo coisa da minha cabeça." Nada adianta: são flashes de lucidez, logo volto a transitar entre esse mundos.
Entre esses tantos outros mundos.
Virou um ciclo dentro de mim. Um ciclo que não tenho coragem de explorar. Um ciclo que um dia já precisou de uma causa pra ter início, mas que agora tem vida própria.


E a minha vida... como fica?


31/01




O
vento úmido agora leva a poeira embora, e o céu se abre depois da rápida - e forte - chuva de verão.
Invade-me uma certa resignação, uma calma que não existe - não tem um substantivo que defina, parece pena, mas não chega a ser auto-piedade. Sinto à flor da pele todas as minhas fraquezas. Tenho plena consciência dos defeitos de meu corpo e é como se o espírito - preso - se sentisse pequeno, triste, por nada poder fazer.
É como se a cada dia eu me visse mais humano - e menos elevado. Por alguns momentos chego a ter medo de andar...




[e isso vem antes, antes do joelho deslocado].

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Parto inverso

3:30 a.m.
São as dores terríveis da noite que vêm me acordar - relembrando que o cordão umbilical ainda não foi cortado. (deveria ser?)
Contrações no tempo - relógio que não cessa - desse parto pelo avesso.
Adormeço...



E não me deixo nascer.



quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

escassez de tempo.

tarde de chuva repentina, queda de hormônios - e de mim - dentro de mim.
escassez de tempo, tempo que não passa aqui longe.
os tulmutos exteriores são como flores cotidianas de um jardim vizinho - passo e não vejo.
um vento calmo me fere a pele,
um solo qualquer de violão me fere o peito...




peito ferido de ausência tua.



quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Lista de Anonovo.

sol na casa 4. lua na 5
recolher. reformar
mudar hábitos.

calculo.
vou ler 30 livros, retomar o contato com 63 pessoas, dizer para os meus pais e irmãos que eu os amo.
deixo tudo pra próxima vez.

Perda de tempo.
Fico aqui, deitada e calada.
olhando as horas passarem, esperando fazer sol.
quando ele chega... acho quente demais.

adiando, adiando. acumulando energia pra gastar com coisa nenhuma.
Aí todos os meses viram 'agostos'. E no agosto, esperar setembro.
Passa de novo a primavera. verãooutonoinverno. e tudo de novo. nada novo.
2011, 2020. 2050.

Quando é que eu vou levantar?



[E eu nem ligo pra essa coisa aí de horóscopo...]