terça-feira, 7 de setembro de 2010

23/08

E eu grito.
E tem se tornado insuportável. Cansei de sangrar por algo tão subjetivo, tão sem objetivo. Procurar-te em cada ônibus, em cada ponto, em cada esquina.
(é como se eu tivesse meia dúzia de outros largos caminhos abertos e insistisse em passar pelo teu muro de concreto.).
E eu insisto.
Insisto em procurar palavras tuas por aí. Nenhuma nunca foi por mim. Releio. Decido que vou me mudar de vez, mas volto e releio. E imagino quem é ou já foi dono de tanto sentimento teu.
Sabe, eu tenho perdido um tempo absurdo com 'tudo' isso. Deixado meu dia-a-dia pra depois. Essa minha obsessão por todo esse nada tem me consumido muito, minha cafeína já não basta. Meu amor-próprio já não basta. Meu quarto trancado, vazio, escuro, já não basta.
Até meu orgulho barato, de certa forma, eu já venci. Eu já tentei. Mas você não quis saber.
O pouco que sobrou do quase nada que eu tive foi essa impressão de que virias outra vez. De que segurarias minha mão outra vez sem querer partir. Não mais.
Sinto que foges, sinto que me evitas (mas o que mais me dói é saber que nem isso fazes por mim - quem me dera se perdesses um tempinho que fosse não querendo estar no mesmo lugar que eu), sinto teu acenar cada vez mais forçado - cada vez mais me corroendo de longe.
E eu fantasio. Meu lado-inteiro Doug entrando sempre em ação. Tem coisa mais desesperadora que esperar um telefonema de alguém que nem tem seu número? E eu espero. E eu calculo qual será a próxima vez em que eu vou perceber tua presença por perto - sem nem ter chegado.
E é esse sempre misto de "não quero que aconteça não quero que acabe". Sou contraditória.
É como se eu estivesse te usando como escapismo. Um mundo que eu uso pra fugir do mundo - sabendo que é só imaginação...
Triste é minha ação ficar no pensar. Um eterno daqui-não-saio-daqui-ninguém-me-tira.



[Minhas paixões têm passado depressa demais; minhas agonias, tempestades-de-copo-d'água - tudo depressa demais. Agora paro e espero (como sempre o faço), será que ainda está em tempo de um passado novo?...]

2 comentários:

  1. Meu grito de "independência ou morte", assim como o de D. Pedro, tudo mentirinha...

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  2. "Até meu orgulho barato, de certa forma, eu já venci."

    sim já venci =/

    Amei o texto Nathy.

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