domingo, 22 de agosto de 2010

auto-retrato(?)

Auto-retrato não é espelho, é apenas o que eu vejo de mim.
Meus olhos não estão no rosto. Minhas mãos não são só quatro dedos e um "polegar opositor" - são a chave de todo o mundo, por onde entro no seu, por onde eu mostro o meu.
Meus tênis estourados não são só acessórios, são meio de transporte e companhia (os loucos que acreditam nas minhas ilusões fúteis).
E essa camiseta meio-preta-desbotada...?
(...)
Sou também braços cheios de ausência, pernas e joelhos machucados/cansados.
Não sou essa sombrancelha falhada nem esse lápis borrado: sou pupila dilatada por tanto pensar.
Voz trêmula de criança quando nervosa, voz de "sobriedade" quando quer convencer - mas geralmente sou este silêncio que grita por atenção. E grito...





[alguma parte do texto - ou de mim? - ficou perdida por aí, por aqui, nalgum canto do meu quarto...]


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terça-feira, 10 de agosto de 2010

A cor lá fora

Eu preciso dessa tristeza, melancolia - sobre o que escreveria então? Felicidade? Ah, isso é sem sal. Ninguém lê alegrias. as minhas deixo lá fora. Eu as vivo, esmigalho e aproveito o menor grão.
Porque lá fora a vida é outra. É prazer em respirar. não cabe aqui. Meu papel não aceita tanta cor - não agora.
Quero só as cores dum dia nublado. No máximo um vermelho forte pra sentir escorrer a vida por entre os dedos.
Amarelos, azuis, violetas... estas ficam no céu e não é mais hora de estar nas núvens.
(não enquanto você não estiver aqui)