segunda-feira, 21 de junho de 2010

Rastros (continuar)


Sigo sempre com a impressão de que dexei algo pra trás. Na verdade é só vontade de que algo estivesse alí atrás, implorando pra que eu ficasse.
É.

sábado, 19 de junho de 2010

Restos

Parece que você vive se agarrando às sobras (e faz delas refeições completas). São só migalhas. Entenda, você precisa mais. Aceita que isso não te sustenta. Chega de algodão doce - que é tão amargo quando 'desaparece' no mais sensível toque. Te joga daí! O que importa se o pára-quedas não abrir? O que vale mesmo é o momento em que se voa. It seems like it's always raining but you can't even feel the drops.
23:23
Não. Não há amor no fim de festa. Chega do "galho em galho" das ilusões. É preciso ouvir tua própria música. Chega de música alheia. Chega de palavras tortas, embaralhadas. Começo, meio e talvez fim, sabe como é? Há tempos que estás lá, no ensaio. Tem que apertar o play, mesmo que seja puro improviso.
(Escrevo e esqueço. Não são minhas. - nem mesmo as palavras...)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Sobre o não-vício

Repito: a vida é sombria quando (estou) sóbria. Os vultos que uma dose qualquer proporciona são muito mais visíveis que a própria luz. São meus amigos - não ligam pra quem não sou. Ou sou eu quem não liga?
E falo. Jogo pra fora as tantas palavras que quase me sufocam nos dias de rotina embriagada. Jogo pra fora tentando não simplesmente "jogar fora" longos tempos de amizade construída em base de silêncio.
Nem sempre é possível.
(...)
O não-vício virou meu castigo. O ciclo não recomeçou.
A ressaca da lucidez me parece eterna.
Era sempre assim: os primeiros goles e a alegria que ia se aconchegando. Depois a dose à mais que ultrapassava o limite do controle. Gargalhadas. melhores amigos. tudo em branco. "onde é que estou?". vagas lembranças embaralhadas. riso envergonhado. O corpo reclama, a cabeça grita. - Ressaca moral. O "nunca mais" (até o próximo fim de semana). Mas não. Não voltou. Assisto tudo da minha sobriedade chata. Insuportável, diria.
Até imagino uma cena bonita, tocante: o dia cinza se mistura com a fumaça de um cigarro que fumo, solitária, com uma mão no bolso e o pé apoiado na parede riscada com tijolo. Mas nem fumante sou.
O que tentar agora?
Meu pensamento não está se aguentando num 'corpo limpo'. Não se encaixam.
Quero um vício que se venda num bar de esquina. Que mate a solidão, o vazio - e meu corpo, pouco à pouco. [Porque você... ah, você eu não posso comprar.]