domingo, 26 de dezembro de 2010

Não cansar



s
into uma febre-de-domingo-à-noite. Nada que dure muito tempo.
Nenhum sentimento de inquietação, desaconchego, tem durado muito.
Ando observando as coisas ao redor sem me aprofundar nas interpretações - pisando na bagunça do meu quarto sem me importar com tal desconforto. Pra que se preocupar?
É como se esses dias entre natal e reveillon não fizessem parte do ano - e eu... faço questão de ficar aquém deste mundo. deixar os conflitos do fim de um ciclo se resolverem, assim, sozinhos.
Tenho mergulhado em mim sem abrir os olhos. escutado canções sem sentir as letras, apenas a melodia, entrando e fazendo cócegas...
Não é cansaço: é não se cansar.
É embalar-me na rede do quarto ao lado e esperar que a nova brisa chegue.

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(Do caminho que venho trilhando, vossa parte já foi feita. E bem feita. Trouxestes-me forte. Aprendi o bom da companhia, e a me "virar" na necessidade solitária. - à memória me vêm os dias em que me deixavas na escolinha, e eu chorava até me entreter com os coleguinhas e com a atividade do dia...- Sou assim, espelho também vosso, e daqui continuarei. Segui! O 'descanso' vos é merecido..)

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[O Território já foi explorado, e creio já ter conseguido minha partezinha.
E que "família linda" somos...]

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010





s
ol a pino, cidade deserta
ando sozinha na rua com um sorriso bobo de que
o ano foi bom.




segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

doces acordes...

Quando tudo o que você defendia não faz mais sentido (e isso está longe de ser trágico).
Você de joelhos num choro que não é de desespero... nem de glória.
Ser consumido.
Fazer-se de desentendido, porque o não saber deixa tudo um tanto mais profundo.
Criar casos.
Criar acasos de um destino bom.
Conspirar. Defender pequenos erros. Culpar os astros.
Enrolar-me nas linhas dos teus doces acordes. Dormir no teu abraço. Sonhar no teu tom de voz...





[Dizer adeus pro meu mundo de ilusões... para nunca mais.]

sábado, 13 de novembro de 2010

"Alma nova"

Sempre arrumando mil e uma maneiras de dizer 'sinto tua falta'.
Mas essa necessidade de presença é tão além do que nosso senso comum é capaz de identificar, o concreto consegue ficar tão intangível.
É como se o abraço já não fosse suficiente.
É como se eu começasse a pensar que o mundo lá fora não importa se você estiver aqui dentro.



[E um 'sinto tua falta' pode significar tanta coisa...]


(Eu digo calma alma minha... ♪)

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Repetir.

Cansei de precisar ficar longe pra poder sentir alguma coisa. de não estar, mesmo quando os diálogos (?) sugerem o oposto.
Cansei de jogar palavras (e cenas) profundas no meu texto quando tudo que existe é tão superficial, é tão vazio.
(...)
Não faz sentido algum abraçar sem juntar alma na alma.
Não tem sentido segurar um cigarro se é a tua mão que eu quero na minha.
(não tem sentido não te sentir quando você está aqui)
Fica.



[ou vai embora de uma vez.]

domingo, 26 de setembro de 2010

Texto perdido [23/09]

perdi o texto, perdi a fome, o fone. a vontade de ouvir-las - as pessoas - eu tô perdendo...



Ter tentado (em vão) vencer os teus "mesmos velhos medos", as tuas certezas - ferir o orgulho.
Sabe, a Lua fica cheia todo mês...
Eu nem precisei ver pra saber que aconteceria. É como alguém que é avisado de um mal e sofre antecipadamente por isso e mesmo assim nem ao menos tenta fugir dele.
Estou ficando um tanto preocupado com essa minha obsessão pela dor - MINHA dor.
[...]
É que regenerar um texto é bem mais difícil. As palavras certas fogem.
Textos são feridas abertas, nunca cicatrizes.
Dor sobre dor, uma hora a cicatriz é tão imensa que se perde a sensibilidade. Não no texto-hemorragia. Ele te permite sangrar tantas vezes quantas tocá-lo.
Apaga a luz! - o coração grita, envergonhado por ter perdido a aposta outra vez (às vezes tudo ao redor parece mesmo um jogo de poker, porque ele ainda não aprendeu a jogar).



[Misturei mesmo, as palavras, as histórias/fatos paralelos, as pessoas - primeiras, segundas e terceiras - pra ficar tudo confuso, pra mostrar-te, tu que não falas, pra mostrar-te em tuas linhas tortas.]

- Primavera chegou (?)

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

"Chaveirinho"

De repente a gente vê que tá guiando a vida por fatos-besteiras e precisa de um tropeço um tanto quanto grande pra se dar conta que há detalhes ENORMES e importantíssimos ao nosso redor. Coisas simples mesmo, como o carinho de algum conhecido, um sorriso na rua de quem nunca tinha visto antes...
A verdade é que a gente nunca sabe quando e se vai cruzar com alguém de novo por aí. Se vai receber aquele mesmo sorriso desconhecido - ou se vai abraçar de novo "aqueeeela" pessoa. Aquela.
Que a gente consiga sempre deixar as boas idéias e as melhores lembranças latentes no pensar (porque é isso que vai nos levar além).

[Alguns sentimentos são tão intensos que é difícil falar com profundidade. Só quem passa por eles sabe do que se trata. Me desculpo, assim, pela superficialidade das palavras e do consolo.]

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Post e as melhores vibrações àquela que vai sempre ser lembrada pelo sorriso e alegria contagiantes. Que você siga pelos mais iluminados caminhos, sempre.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Por Caio F.

"Algumas vezes eu fiz muito mal para pessoas que me amaram. Não é paranóia não. É verdade. Sou tão talvez neuroticamente individualista que, quando acontece de alguém parecer aos meus olhos uma ameaça a essa individualidade, fico imediatamente cheio de espinhos - e corto relacionamentos com a maior frieza, às vezes firo, sou agressivo e tal. É preciso acabar com esse medo de ser tocado lá no fundo. Ou é preciso que alguém me toque profundamente para acabar com isso."

terça-feira, 7 de setembro de 2010

23/08

E eu grito.
E tem se tornado insuportável. Cansei de sangrar por algo tão subjetivo, tão sem objetivo. Procurar-te em cada ônibus, em cada ponto, em cada esquina.
(é como se eu tivesse meia dúzia de outros largos caminhos abertos e insistisse em passar pelo teu muro de concreto.).
E eu insisto.
Insisto em procurar palavras tuas por aí. Nenhuma nunca foi por mim. Releio. Decido que vou me mudar de vez, mas volto e releio. E imagino quem é ou já foi dono de tanto sentimento teu.
Sabe, eu tenho perdido um tempo absurdo com 'tudo' isso. Deixado meu dia-a-dia pra depois. Essa minha obsessão por todo esse nada tem me consumido muito, minha cafeína já não basta. Meu amor-próprio já não basta. Meu quarto trancado, vazio, escuro, já não basta.
Até meu orgulho barato, de certa forma, eu já venci. Eu já tentei. Mas você não quis saber.
O pouco que sobrou do quase nada que eu tive foi essa impressão de que virias outra vez. De que segurarias minha mão outra vez sem querer partir. Não mais.
Sinto que foges, sinto que me evitas (mas o que mais me dói é saber que nem isso fazes por mim - quem me dera se perdesses um tempinho que fosse não querendo estar no mesmo lugar que eu), sinto teu acenar cada vez mais forçado - cada vez mais me corroendo de longe.
E eu fantasio. Meu lado-inteiro Doug entrando sempre em ação. Tem coisa mais desesperadora que esperar um telefonema de alguém que nem tem seu número? E eu espero. E eu calculo qual será a próxima vez em que eu vou perceber tua presença por perto - sem nem ter chegado.
E é esse sempre misto de "não quero que aconteça não quero que acabe". Sou contraditória.
É como se eu estivesse te usando como escapismo. Um mundo que eu uso pra fugir do mundo - sabendo que é só imaginação...
Triste é minha ação ficar no pensar. Um eterno daqui-não-saio-daqui-ninguém-me-tira.



[Minhas paixões têm passado depressa demais; minhas agonias, tempestades-de-copo-d'água - tudo depressa demais. Agora paro e espero (como sempre o faço), será que ainda está em tempo de um passado novo?...]

domingo, 22 de agosto de 2010

auto-retrato(?)

Auto-retrato não é espelho, é apenas o que eu vejo de mim.
Meus olhos não estão no rosto. Minhas mãos não são só quatro dedos e um "polegar opositor" - são a chave de todo o mundo, por onde entro no seu, por onde eu mostro o meu.
Meus tênis estourados não são só acessórios, são meio de transporte e companhia (os loucos que acreditam nas minhas ilusões fúteis).
E essa camiseta meio-preta-desbotada...?
(...)
Sou também braços cheios de ausência, pernas e joelhos machucados/cansados.
Não sou essa sombrancelha falhada nem esse lápis borrado: sou pupila dilatada por tanto pensar.
Voz trêmula de criança quando nervosa, voz de "sobriedade" quando quer convencer - mas geralmente sou este silêncio que grita por atenção. E grito...





[alguma parte do texto - ou de mim? - ficou perdida por aí, por aqui, nalgum canto do meu quarto...]


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terça-feira, 10 de agosto de 2010

A cor lá fora

Eu preciso dessa tristeza, melancolia - sobre o que escreveria então? Felicidade? Ah, isso é sem sal. Ninguém lê alegrias. as minhas deixo lá fora. Eu as vivo, esmigalho e aproveito o menor grão.
Porque lá fora a vida é outra. É prazer em respirar. não cabe aqui. Meu papel não aceita tanta cor - não agora.
Quero só as cores dum dia nublado. No máximo um vermelho forte pra sentir escorrer a vida por entre os dedos.
Amarelos, azuis, violetas... estas ficam no céu e não é mais hora de estar nas núvens.
(não enquanto você não estiver aqui)

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Minhas férias


T
odo ano era a mesma coisa, a professora pedia para fazer a tal redação e você nunca sabia se contava a parte entediante ou a parte chata, sempre com vergonha de seus colegas, que escreviam sobre as mais emocionantes viagens, e você, no máximo, ia à casa da vó.
Mas para não dizer que não teve ao menos um pouquinho de adrenalina, quem não se lembra de um machucado, de um tombo feio que levou nesta [magnífica] época? Pois é, o meu último é bem recente: num dia lindo qualquer o tempo às vezes vira e o vento forte te derruba - caí de cima do castelo que ergui por ti. Para ti. É dor que gelol não cura.
É engraçado o quanto a gente se apoia em coisas nulas, vazias, para justificar certas idéias, erros, que nunca nem deveriam ter nascido. Ilusão sobre ilusão, a gente vai subindo, fazendo de cada imperceptível detalhe (coisas que só a gente vê) tijolo e cimento - são só areia. (E aí, se não é a gente que cai, é o próprio castelo que se desmorona...)
Chato é não ter as cicatrizes para mostrar depois. Só você viu, só você sentiu. - Só você sabe como (não) foi.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

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Solidão é essa ânsia, enjôo, no meu domingo ensolarado.


sábado, 10 de julho de 2010

(...)










Eu vou ficar a noite toda olhando as horas no celular, sem você ligar. e sem saber se você recebeu, ou percebeu, o que eu queria te falar. é que eu deveria ter sido mais doce, mas eu não sei. eu não sei me entregar logo de cara. Será que ainda está em tempo? será que a gente pode ter aquela conversa de novo? me deixa mudar minhas falas. me deixa acreditar e te fazer acreditar que vale mesmo a pena...

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Transbordando...


P
or horas mais pareceu gangora, mas no fim o balanço é positivo. Se de um lado, momentos de incerteza, do outro, expectativas transbordadas - melhor do que trabalho feito à mão...
Observando daqui de cima já não sei dizer se havia sonhado com tudo isso. A vontade de percorrer todos os cantos num só segundo é grande. Mas é essencial agora parar, sentar na tal "nuvem voadora" e analisar meticulosamente cada detalhe. Parece que o tempo nem passou direito. Parece que o "parque-céu" logo vai fechar, então é melhor andar depressa.
O vento é forte e você é leve. E logo ele vem.
E você tem que estar pronto para ajustar as asas e seguir...
Muito foi aprendido. Muito superado. Voltar pro ninho e perceber essas coisas, nossa, isso que é vida!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Rastros (continuar)


Sigo sempre com a impressão de que dexei algo pra trás. Na verdade é só vontade de que algo estivesse alí atrás, implorando pra que eu ficasse.
É.

sábado, 19 de junho de 2010

Restos

Parece que você vive se agarrando às sobras (e faz delas refeições completas). São só migalhas. Entenda, você precisa mais. Aceita que isso não te sustenta. Chega de algodão doce - que é tão amargo quando 'desaparece' no mais sensível toque. Te joga daí! O que importa se o pára-quedas não abrir? O que vale mesmo é o momento em que se voa. It seems like it's always raining but you can't even feel the drops.
23:23
Não. Não há amor no fim de festa. Chega do "galho em galho" das ilusões. É preciso ouvir tua própria música. Chega de música alheia. Chega de palavras tortas, embaralhadas. Começo, meio e talvez fim, sabe como é? Há tempos que estás lá, no ensaio. Tem que apertar o play, mesmo que seja puro improviso.
(Escrevo e esqueço. Não são minhas. - nem mesmo as palavras...)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Sobre o não-vício

Repito: a vida é sombria quando (estou) sóbria. Os vultos que uma dose qualquer proporciona são muito mais visíveis que a própria luz. São meus amigos - não ligam pra quem não sou. Ou sou eu quem não liga?
E falo. Jogo pra fora as tantas palavras que quase me sufocam nos dias de rotina embriagada. Jogo pra fora tentando não simplesmente "jogar fora" longos tempos de amizade construída em base de silêncio.
Nem sempre é possível.
(...)
O não-vício virou meu castigo. O ciclo não recomeçou.
A ressaca da lucidez me parece eterna.
Era sempre assim: os primeiros goles e a alegria que ia se aconchegando. Depois a dose à mais que ultrapassava o limite do controle. Gargalhadas. melhores amigos. tudo em branco. "onde é que estou?". vagas lembranças embaralhadas. riso envergonhado. O corpo reclama, a cabeça grita. - Ressaca moral. O "nunca mais" (até o próximo fim de semana). Mas não. Não voltou. Assisto tudo da minha sobriedade chata. Insuportável, diria.
Até imagino uma cena bonita, tocante: o dia cinza se mistura com a fumaça de um cigarro que fumo, solitária, com uma mão no bolso e o pé apoiado na parede riscada com tijolo. Mas nem fumante sou.
O que tentar agora?
Meu pensamento não está se aguentando num 'corpo limpo'. Não se encaixam.
Quero um vício que se venda num bar de esquina. Que mate a solidão, o vazio - e meu corpo, pouco à pouco. [Porque você... ah, você eu não posso comprar.]

sábado, 13 de março de 2010

Começo a navegar...




"Não há nada entre meus braços além do ar da manhã. Suspiro, sorrio, desfaço o abraço. Então, com as mãos vazias, finalmente começo a navegar."
- Foi assim que eu pensei em começar. Demasiado triste pra quem está tão feliz. Não que a tristeza também não faça parte, mas...
Não. É só saudade. E a saudade tem tudo aquilo que te faz sentir febre.
Às vezes parece que é preciso mesmo deixar tudo pra trás, pra poder seguir em frente. Na verdade não é preciso, mas é mais fácil - por mais contraditório que pareça.
O mais difícil é você querer voltar depois e encontrar as coisas diferentes das suas expectativas. Acontece.
Soltar as mãos - apertar uma outra?
Desfazer o abraço - encontrar um novo? (Mas a alma não "desabraça" fácil assim)
De jeito algum: não é com pesar que vou.
É só um pouco de medo, e não daquele que te faz parar, mas sim querer saber o que está por vir...
São só as impressões de quem queria o céu e está aprendendo a voar...